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SIGEP

Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil - 085

Serra do Sincorá, Bahia

Data: 03/03/2001

Augusto J. Pedreira
augusto.pedreira@terra.com.br 
CPRM-Serviço Geológico do Brasil
Av. Ulysses Guimarães, 2862 - CAB
41213-000 Salvador, Bahia, Brasil
Tel: (71)230-9977

© Pedreira,A.J. 2001. Serra do Sincorá, Bahia. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A.; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M. (Edit.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. Publicado na Internet em 03/033/2001 no endereço http://www.unb.br/ig/sigep/sitio085/sitio085.htm [Atualmente http://sigep.cprm.gov.br/sitio085/sitio085.htm]

Veja versão com linguagem popular:
A CHAPADA DOS DIAMANTES-Serra do Sincorá, Bahia
Por: Augusto J. Pedreira

Versão Final Impressa:
©  Pedreira,A.J. 2002. Serra do Sincorá, Chapada Diamantina, BA - Beleza paisagística e paleopláceres de diamante. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A. ; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M.L.C. (Edits.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. 1. ed. Brasilia: DNPM/CPRM - Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), 2002. v. 01: 187-194.

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(A referência bibliográfica de autoria acima é requerida para qualquer uso deste artigo em qualquer mídia, sendo proibido o uso para qualquer finalidade comercial)

RESUMO
A serra do Sincorá é um sistema orográfico que se estende na direção aproximada norte - sul, entre os paralelos 12015' - 13045'S e 41010' - 41030'W. As serras, que tomam diversos nomes locais, alternam altitudes superiores a 1200m com vales estreitos e profundos, cujas escarpas e cachoeiras possuem grande beleza paisagística. As rochas que formam a serra do Sincorá, são principalmente arenitos e conglomerados da Formação Tombador, de idade mesoproterozóica. As estruturas sedimentares dessas rochas estão perfeitamente preservadas, permitindo a sua abordagem sob os pontos de vista de sistemas deposicionais e estratigrafia de seqüências. A estrutura da serra é de um anticlinório, com eixo ondulante no plano vertical. Os conglomerados da Formação Tombador são portadores de diamantes, e foram garimpados na serra do Sincorá, desde a sua descoberta em 1844. A partir de 1871, a produção declinou dramaticamente, mas na atualidade ainda existe garimpagem esporádica em pequena escala. A metade setentrional da serra do Sincorá está dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina e a norte dela está a Área de Proteção Ambiental de Iraquara-Marimbus; na região da cidade de Mucugê existe um parque municipal de proteção ambiental, na área do Projeto Sempre Viva.
Palavras-chave: Serra do Sincorá; Chapada Diamantina; rochas sedimentares; geologia estrutural; diamante; Proterozóico

 ABSTRACT
The Sincorá range is an orographic system of north-south trend bounded by the coordinates 12015' - 13045'S and 41010' - 41030'W. The ranges, that take several local names alternate heights above 1200m with narrow and deep valleys, whose escarpments and waterfalls compose breathtaking landscapes. The rocks that form the Sincorá range are mostlysandstones and conglomerates of the Tombador Formation, of Mesoproterozoic age. The sedimentary structures of these rocks are perfectly preserved, allowing its approach under the depositional systems and sequence stratigraphy view points. The structure of the range is an anticlinorium whose axis undulate in the vertical plane. The TombadorFormation conglomerates are diamond bearing, and were washed since their discovery in 1844. From 1871 on, there was a dramatic decrease in the production, but presently there are still scattered washings. The northern half of the Sincorá range is within the Chapada Diamantina National Park and farther north is the Iraquara-Marimbus Environmental Protection Area; in the region of the town of Mucugê, there is a municipal park of environmental protection, in the area of the Sempre Viva Project.
Key words: Sincorá range; Chapada Diamantina; sedimentary rocks; structural geology; diamond; Proterozoic

INTRODUÇÃO

    A serra do Sincorá, situada na região central do Estado da Bahia, Brasil, constitui um sítio de grande beleza paisagística devido ao modelado de suas serras, que expõem vales profundos de encostas íngremes e amplas chapadas. Essas escarpas permitem o exame de seções estratigráficas e estruturas sedimentares das rochas que as formam, onde tempos atrás foram explorados diamantes e carbonados.
  
Em 1818, os naturalistas alemães J.B. von Spix e C.F. von Martius examinaram as rochas desta serra na vila de Sincorá (atualmente Sincorá Velho), comparando-as com as rochas do Tijuco na Província de Minas Gerais, produtoras de diamantes (Spix & Martius, 1938). A descoberta de diamantes nos rios Mucugê e Combucas em 1844, atraiu para a região um grande número de exploradores e aventureiros. Assim, em 1847 o Inspetor Geral dos Terrenos Diamantinos da Província da Bahia, Benedicto Marques da Silva Acauã, dirigiu ao Governo Imperial um relatório sobre  a região. A segunda parte deste relatório contém uma descrição circunstanciada da geomorfologia da serra do Sincorá e adjacências e das suas riquezas minerais, reais e potenciais (Acauã, 1847). Além dos exploradores e aventureiros, a presença dos diamantes também atraiu cientistas para a região (Moraes, 1991).
  
No ano de 1880, o engenheiro Theodoro Sampaio visitou a cidade de Santa Isabel do Paraguaçu (atual Mucugê), situada em plena serra do Sincorá "... no centro das lavras de diamantes da Bahia..." (Sampaio, 1955). Em visita ao garimpo da Nova Sibéria, situado no rio Paraguaçu, ele identificou as rochas como "o mesmo fácies geológico da serra do Sincorá".
  
As bases da estratigrafia da Chapada Diamantina foram lançadas pelo geólogo americano Orville A  Derby, em sua visita à região (Lençóis, Andaraí, Chique-Chique - atual Igatu, Santa Isabel do Paraguaçu e Palmeiras) no ano de 1904. Em um relatório dirigido ao Secretário da Agricultura do Estado da Bahia ele descreveu os arenitos e conglomerados, e a estrutura da serra do Sincorá (Derby, 1905). Mais tarde ele os nomeou de grupos Paraguaçu e Lavras, respectivamente (Derby, 1906).
  
Após essas primeiras descrições, a geologia da serra do Sincorá tem sido abordada sob diferentes pontos de vista: estratigrafia e geologia regional (Derby, 1905; 1906; Kegel, 1959; Mascarenhas, 1969; Pedreira et al, 1975); sistemas deposicionais (Guimarães & Pedreira, 1990; Bomfim & Pedreira, 1990; Pedreira & Margalho, 1990; Pedreira, 1997); e estratigrafia de seqüências (Pedreira, 1988; 1994; 1995; Savini & Raja Gabaglia, 1997).
  
Recentemente, tem sido dada ênfase a estudos relacionados ao meio ambiente (CPRM, 1994; Funch, 1997).

LOCALIZAÇÃO

    A serra do Sincorá está localizada na região central do Estado da Bahia, na área limitada pelas coordenadas 120 15' - 130 45' S e 410 10' - 410 30'W, distante da cidade de Salvador, capital do estado, cerca de 400km (figura 1). A região compreende partes dos municípios de Lençóis, Palmeiras, Andaraí, Mucugê e Barra da Estiva, além das vilas de Caeté Açu, Guiné, Igatu, Cascavel, Mundo Novo e Sincorá Velho, pertencentes a esses municípios. O acesso à região pode ser feito por via terrestre através da rodovia BR-242 (Salvador - Brasília) e dentro da mesma por rodovias estaduais pavimentadas que a ligam às cidades de Lençois, Palmeiras, Andaraí, Mucugê e Barra da Estiva. Outras localidades podem ser alcançadas por estradas vicinais sem pavimentação; as estradas entre a rodovia BA-142 e a vila de Igatu são pavimentadas com lajes de pedra. O acesso por via aérea é feito por linhas regulares através do Aeroporto Cel. Horácio de Matos, situado na vila de Tanquinho.

Figura 1 - Mapa de localização da serra do Sincorá. Legenda: 1-Região da serra; 2-Rodovia pavimentada; 3-Estrada não pavimentada; 4-Rio; 5-Cidade ou vila; 6-Aeroporto.
Figure 1 - Location map of the Sincorá range. Explanation: 1- Region of the range; 2-Paved road; 3-Unpaved road; 4-River; 5-Town or village; 6-Airport.

DESCRIÇÃO DO SÍTIO

   A serra do Sincorá está localizada na borda centro-oriental da Chapada Diamantina, aproximadamente entre as vilas de Afrânio Peixoto (antiga Estiva)  a norte e de Sincorá Velho a sul (figura 1). Sua vertente ocidental é uma escarpa quase contínua, com cerca de 300m de altura e 80km de extensão e a oriental, que domina a planície do vale do Paraguaçu (400m), atinge rapidamente a altitude de 1200m, nas primeiras cristas da serra (Funch, 1997).

Geomorfologia 

    Falhas de grande extensão com direção norte-sul e outras menores transversais a essas, dividem-na em inúmeros blocos que tomam denominações locais como as serras da Cravada, do Sobrado, do Lapão, do Veneno, do Roncador ou Garapa, do Esbarrancado (que faz parte da sua escarpa ocidental), do Rio Preto, entre muitas outras. Essas serras possuem picos com até 1700m de altitude e são separadas por vales íngremes e profundos como canyons. 
  
Uma feição que se destaca na serra do Sincorá, é o morro do Pai Inácio, situado no flanco ocidental do anticlinal de mesmo nome, que forma o vale do Cercado (figura 2).

Figura 2 - Vale do Cercado, no anticlinal do Pai Inácio, a sul da rodovia BR-242.
Figure 2 - Cercado valley in the Pai Inácio anticline, south of the BR-242 road

    A norte da rodovia, está o morro do Camelo ou Calumbi, um morro-testemunho dentro do anticlinal (figura 3), e a sul, em situação semelhante, o Morrão (figura 4), cujo acesso se faz através da estrada entre a cidade de Palmeiras e a vila de Caeté Açu.

Figura 3 - Morro do Camelo ou Calumbi
Figure 3 - Camelo or Calumbi mountain

Figura 4 - Morrão
Figure 4 - Morrão

    Antes da vila de Caeté Açu, é cruzada a ponte sobre o rio Riachinho (figura 5). Próximo a este local está a gruta do Riachinho, com desenvolvimento horizontal de 201m e 26m de altura (Laureano & Cançado, 1995).

Figura 5 - Rio Riachinho
Figure 5 - Riachinho river

    O rio Paraguaçu, após atravessar a serra do Sincorá (figura 1), a deixa na localidade de Passagem de Andaraí, formando a cachoeira de Donana (figura 6). Daí ele passa a meandrar sobre a planície calcária, em busca do oceano Atlântico, na baía de Todos os Santos.

Figura 6 - Cachoeira de Donana
Figure 6 - Donana waterfall

    Além do vale do Cercado, já mencionado, na terminação meridional da serra do Sincorá existe outro, denominado Campo Redondo. A sua entrada é mostrada na figura 7, onde se vê a escarpa ocidental da serra  e o vale do rio Sincorá.

Figura 7 - Estrada para Campo Redondo, vendo-se a parte da escarpa ocidental da serra  e o vale do rio Sincorá.
Figure 7 - Road to Campo Redondo, looking to part of the western escarpmemt of the range and the valley of the Sincorá river.

Geologia

    As rochas que afloram na serra do Sincorá pertencem essencialmente à Formação Tombador de idade mesoproterozóica; esta formação foi descrita por Branner (1910), cerca de 180km a norte desta região. Na serra do Sincorá, a Formação Tombador está depositada sobre a Formação Guiné (figura 8). A sua estrutura é de um grande anticlinório com eixo ondulante. As ondulações positivas estão na região central da serra, entre o morro do Pai Inácio e a vila de Guiné, e entre as cidades de Mucugê e Barra da Estiva. Nesses locais afloram as rochas da Formação Guiné, sotoposta à Formação Tombador.

Figura 8 - Contato entre as formações Guiné e Tombador em Comércio de Fora, a oeste da cidade de Mucugê. As rochas da primeira (siltitos e arenitos) têm relevo suave; as da última (arenitos e conglomerados), formam a escarpa.
Figure 8 - Contact between the Guiné and Tombador  formations in Comércio de Fora, west of the town of Mucugê. The rocks of the former (siltstones and sandstones) have gentle land forms; the ones of the latter (sandstones and conglomerates ) form the escarpment.

    O contato entre essas formações, a primeira de ambiente marinho (Pedreira, 1995), e a segunda de ambiente continental, é interpretado como um limite de seqüência do tipo 1 (Pedreira, 1994).
   
Os arenitos e conglomerados da Formação Tombador são mostrados nas figuras 9 e 10.

Figura 9 - Arenitos da Formação Tombador na vila de Igatu. Notar os truncamentos entre as camadas, em forma de canais.
Figure 9 - Sandstones of the Tombador Formation in the village of Igatu. Note the trunctions between beds, with channel shapes.

Figura 10 - Conglomerados intercalados com arenitos da Formação Tombador. Vale do rio Combucas, a norte da cidade de Mucugê.
Figure 10 - Interbedded conglomerates and sandstones of the Tombador Formation. Valley of the Combucas river, north of the town of Mucugê.

    O estudo das litologias da Formação Tombador e suas estruturas sedimentares associadas, permitiu a determinação dos seus ambientes de sedimentação, como mostram os perfis sedimentográficos da figura 11.

Figura 11 - Perfis sedimentográficos da Formação Tombador na serra do Sincorá. A- Rodovia BR-242, entre o morro do Pai Inácio e o topo da formação (modificado de Guimarães & Pedreira, 1990); B-Morro do Cruzeirão, na cidade de Mucugê. Legenda: 1-Conglomerado sustentado pelos clastos; 2-Arenito; 3-Estratificação cruzada acanalada; 4- Estratificação cruzada tabular; 5- Estratificação plano-paralela; 6-Marcas onduladas; 7-Imbricamento de clastos; 8-Amalgamação.
Figure 11 - Graphic sedimentary logs of the Tombador Formation in the Sincorá range. A - BR-242 road, between the Pai Inacio mountain and the top of the formation (modified from Guimarães & Pedreira, 1990); B - Cruzeirão muontain in the town of Mucugê. Explanation: 1-Clast supported conglomerate; 2-Sandstone; 3-Trough cross bedding; 4-Tabular cross bedding; 5-Horizontal bedding; 6-Ripple marks; 7- Clast imbrication; 8-Amalgamation.

Diamantes

    No ano de 1844, foram descobertos diamantes na serra do Sincorá, na região de Mucugê (figuras 1 e 12). A partir dessa região toda a serra foi explorada, garimpando-se diamantes desde o rio Sincorá a sul (figuras 1 e 7), até a região de Afrânio Peixoto a norte (figura 1).

Figura 12 - Rio Combucas, a norte da cidade de Mucugê, próximo à sua confluência com o rio Mucugê, local das primeiras descobertas de diamantes na serra do Sincorá.
Figure 12 - Combucas river, north of the town of Mucugê, close to the mouth of the Mucugê river, place of the first discoveries of diamonds in the Sincorá range.

    Os diamantes eram garimpados no cascalho produzido pela decomposição de conglomerados oligomíticos como o da figura  13, ou polimíticos, como os da cachoeira do Serrano (figura 14) mostrados em detalhe na figura 15.

 

Figura 13 - Detalhe do conglomerado do vale do rio Combucas (figura 10), interpretado como fluvial.
Figure 13 - Detail of the conglomerate of rio Combucas valley (figure 10) interpreted as fluvial.

Figura 14 - Cachoeira do Serrano, na cidade de Lençóis.
Figure 14 - Serrano waterfall in the town of Lençóis.

 

Figura 15 - Conglomerado polimítico da cachoeira do Serrano, interpretado como leque aluvial.
Figure 15 - Polymictic conglomerate of the Serrano waterfall, interpreted as alluvial fan.

    A garimpagem também foi intensa nas regiões de Andaraí e Igatu. A figura 16 mostra os conglomerados na estrada entre essas duas localidades. O rejeito dos antigos garimpos ainda pode ser visto ao longo desta estrada.

Figura 16 - Conglomerados ao longo da estrada Andaraí - Igatu
Figure 16 - Conglomerates along Andaraí - Igatu road

    Após uma fase áurea de aproximadamente 25 anos, a garimpagem de diamantes entrou em declínio a partir de 1871 (CPRM, 1994). As tentativas iniciais de mecanizar os garimpos foram feitas na primeira metade do século XX (Catharino, 1986). Na década de 80 o garimpo mecanizado foi reintroduzido na serra do Sincorá, instalado nos leitos dos rios dentro e fora do Parque Nacional. Estes garimpos, graças a uma ação conjunta de diversas autoridades ligadas à mineração e ao meio ambiente, foram fechados definitivamente em março de 1996.
   
Mesmo após 150 anos de exploração dos aluviões diamantíferos, ainda existe garimpagem manual, embora em ritmo mais lento, devido à exaustão e decadência das lavras (Funch, 1997). Devido ao número ilimitado de situações geológicas e topográficas da serra, existem os seguintes tipos de garimpo manual, mencionados por este autor, cada qual com suas peculiaridades: cascalhão (barrancos altos com cascalho e areia), barranco (barranco alto de barro sobre uma fina camada de cascalho),  brejo (área baixa e úmida com pouco solo sobre o cascalho), grupiara (cascalho na serra), emburrado (área com matacões) , curriolo (garimpo no leito de um rio, com muito cascalho e pedras soltas), engrunada (garimpo subterrâneo), gruta (garimpo em túnel natural da serra), escafandro (garimpo submerso, trabalhado por mergulhadores), serviço a seco (garimpo em local sem água), lavagem (retrabalhamento do rejeito de um garimpo antigo) e faísca  (pequeno garimpo feito em um dia), (figura 17).

Figura 17 - Representação esquemática dos tipos de garimpo manual (descrições no texto)
Figure 17 -Schematic rendering of the manual garimpo types (descriptions in the text)

    Esses fatos confirmam a afirmação de Derby (1905): "Quanto à riqueza mineral, a única até hoje aproveitada é a de diamantes e carbonados, e a sua constituição geológica [da serra do Sincorá] pouca esperança oferece da existência de outra...".

MEDIDAS DE PROTEÇÃO

    O trecho da serra do Sincorá  situado entre Cascavel e Mucugê e a rodovia BR-242, está incluído no Parque Nacional da Chapada Diamantina. Este parque foi criado em 17 de setembro de 1985, pelo Decreto Federal no. 91.655. Ele possui  área de 1520km2, e abrange parte do municípios de Lençóis, Andaraí, Mucugê, Palmeiras e Ibicoara (figura 1), com exclusão das sedes municipais (CPRM, 1994). A norte da rodovia BR-242, os morros do Pai Inácio e do Camelo estão dentro da APA (Área de Proteção Ambiental) de Iraquara-Marimbus.
   
De acordo com informações do biólogo Roy Funch (Diretor do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Lençóis) o rio Mucugê, em cujo leito foram descobertos os primeiros diamantes, está razoavelmente bem protegido: o seu alto curso fica dentro do Parque Nacional e o baixo curso corre dentro da área do Parque Municipal de Mucugê (uma reserva com cerca de 270 hectares). Este parque ainda inclui o baixo curso do rio Combucas e vários dos seus tributários, limitando-se com o Parque Nacional.
   
Além dessas medidas, existe no município de Mucugê, o Projeto Sempre Viva. Este projeto tem os seguintes objetivos: 1) implantação de uma unidade de conservação estruturada para o ecoturismo, no Parque Municipal de Mucugê; 2) desenvolvimento de tecnologia de reprodução de plantas nativas; 3) implantação de um Sistema de Informações Geográficas (SIG); e, 4) execução de um programa de educação ambiental. A sua sede, construída no estilo dos antigos abrigos de garimpeiros, é mostrada na figura 18.

Figura 18 - Parte das instalações do Projeto Sempre Viva.
Figure 18 - Part of the Sempre Viva Project facility

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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